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Folha cobra de Temer reforma escravagista da CLT

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Artigo de Fernando Brito, publicado no Tijolaço.

A Folha bem que podia trocar seu slogan de “não dá pra não ler” para o refrão (“lerê, lerê…”) da música “Vida de Negro” do Dorival Caymmi, que ficou na memória de todos pela novela “Escrava Isaura”…

Seu editorial de hoje, cobrando a “modernização” a ferro e fogo das leis trabalhistas é um hino à escravatura.

Não chegou a defender as 80 horas de trabalho semanais, como fez Robson Andrade, presidente da Confederação da Indústria dias atrás.

Mas abre caminho para isso.

Diz que “as esperanças de prosperidade futura do país dependem de uma agenda de modernização institucional que estimule a produtividade e reduza o custo de fazer negócios”.

Custo de fazer negócios não são os juros altos, a falta de mercado e escala, de infraestrutura de ferrovias, rodovias, baixo grau de formação educacional e profissional da mão de obra…

O custo é o trabalhador e por isso, “entre os obstáculos a serem equacionados, destaca-se a obsoleta legislação trabalhista, gestada nos longínquos anos 1940 e causadora de um anômalo e crescente contencioso entre empregados e empregadores” que, alerta, irá aumentar com a onda de demissões que vivemos.

Anômalo, por que? Por que tem que pagar hora-extra e não paga, adicional noturno que não é adicionado? Ou serão as férias, o décimo-terceiro, a hora do almoço, a gratificação paga por anos que se quer tirar do desgraçado?

E não diz que vai aumentar porque, já demitido, o infeliz vai buscar os direitos que aceitou ter negados com medo de perder o emprego. Como já perdeu, mesmo, vai buscá-los, ao menos em parte, na Justiça do Trabalho.

Desde quando não se pode fazer terceirização razoável – em serviços auxiliares e ou especializados, quase tudo já é terceirizado – e precisa-se estender tudo à intermediação dos “gatos” modernos? Como pode ser mais barato pagar a um intermediário de mão de obra se este intermediário não puder remunerar pior, demitir “melhor’, explorar mais?

Os baronatos da imprensa, que não dão conta de sustentar seus herdeiros perdulários – como gastavam depois que vinham de Coimbra os filhos dos barões do café e da cana há 130 anos! – querem algo como a escravatura e acham que o que jamais impediu o Brasil de se desenvolver nos 70 anos de direitos trabalhistas é que são o problema?

O editorial saúda a intenção de Michel Temer de reduzir estes direitos, logo após fazer o mesmo com a Previdência.

É nessa ordem, tirar do aposentado primeiro; do trabalhador ativo, a seguir. E da saúde, e da educação…

É isso que não têm coragem de dizer, e ficam na rotulação imbecil de dizer que “deve-se fugir do populismo que considera qualquer alteração uma afronta aos direitos dos trabalhadores”.

Não é afronta?

Então digam o que querem alterar!

Ao menos o “sinhô” Robson, da CNI, foi sincero ao dizer o que queria…

 

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