55% dos paulistanos não lembram em quem votou para vereador em 2016

Ter, 13 de Fevereiro de 2018 20:46 Rede Nossa São Paulo
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Pesquisa “Viver em São Paulo” revela também a percepção dos paulistanos sobre temas relacionados à qualidade de vida e atendimento dos serviços públicos nas áreas da saúde, educação e segurança.

Por Airton Goes, da Rede Nossa São Paulo

Passado pouco mais de um ano da eleição que escolheu os 55 vereadores da Câmara Municipal de São Paulo, 55% dos paulistanos já não lembram em quem votou. Esse é um dos resultados da pesquisa “Viver em São Paulo”, que foi divulgada nesta quarta-feira (24/1) – véspera do aniversário da capital paulista – pela Rede Nossa São Paulo e Ibope Inteligência, em parceria com o Sesc.

“A amnésia eleitoral apresentada [pelo levantamento] é muito alta”, avaliou Fernando Abrucio, professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que participou do evento de lançamento da pesquisa, ocorrido no Sesc 24 de Maio.

Ele destacou a baixa confiança nas instituições públicas, revelada nos resultados do levantamento, e defendeu a necessidade de “uma grande mudança” na governança da cidade. “São Paulo está, no mínimo, 20 anos atrasada em relação a outras cidades do mundo”, afirmou Abrucio, que também é comentarista da Rádio CBN.

As declarações do professor da FGV foram feitas durante o debate, que teve como tema os dados da pesquisa.

 

Outra debatedora foi Cida Bento, coordenadora executiva do Centro de Estudos das relações do Trabalho e Desigualdades (CEERT) e integrante do Fórum Permanente pela Igualdade Racial. Segundo ela, a pesquisa mostra um descontentamento da população em relação à qualidade dos serviços públicos. “E quando as pessoas dizem que não lembram em quem votou, isso parece desligado da situação relatada pela pesquisa”, considerou, antes de complementar: “É como se o voto não pudesse mudar os dados apresentados”.

Cida Bento reforçou a importância do voto. “A gente é que pode dar um basta nisso, mudando nossas casas legislativas”, argumentou.

A discussão também contou com a participação de Jorge Abrahão, coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo e do Programa Cidades Sustentáveis. “O patamar de insatisfação que a pesquisa mostra ainda é muito elevado, para uma cidade como a nossa”, considerou ele, para, em seguida, reforçar: “A população está dizendo que, do ponto de vista concreto, as coisas não melhoraram”.

Na opinião de Jorge Abrahão, os resultados devem ser entendidos como um sinal para o poder público e para a sociedade. “Não é razoável que as crianças esperem, em média, 283 dias para uma vaga em creche”, exemplificou ele, mencionando um dos dados apresentados. “Não há nada mais importante do que as crianças”, ponderou.

Ao abordar o descrédito dos paulistanos nas instituições públicas, o coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo sugeriu que uma das formas para recuperar a confiança dos cidadãos é radicalizar na participação. “A Prefeitura poderia estimular e ampliar a participação e não reduzir os conselhos, como foi feito”, disse ele, lembrando algumas decisões nesse sentido da atual gestão municipal. “Essa pesquisa nos aponta que é preciso um novo modo de governar”, concluiu Abrahão.

Os resultados da pesquisa foram apresentados por Márcia Cavallari, CEO do Ibope Inteligência.

Alguns dados mostrados por ela:

- 84% dos entrevistados ou pessoas de sua família utilizaram algum serviço de saúde pública nos últimos 12 meses. Esse é o maior índice da séria histórica, iniciada em 2008;

- A percepção dos paulistanos é que aumentou significativamente o tempo entre a marcação e a realização dos serviços de saúde. Exemplo: o tempo médio de espera para consultas médicas subiu de 82 dias, em 2015, para 160 dias, no levantamento atual.

- 39% das crianças que necessitam de creche têm que esperar pelas vagas, sendo que a maioria delas (56%) fica mais de seis meses aguardando em creche. O tempo médio de espera na cidade é de 283 dias, sendo que na zona sul o prazo sobe para 308 dias;

- Assalto e roubo, com 68% das menções, figuram no topo do raking das possíveis situações que causam medo nos paulistanos. Em seguida vem violência em geral, com 58%, sair à noite, com 29%, e tráfico de drogas, com 28%;

- Pela primeira vez, os paulistanos apontaram que “investir em educação de qualidade para jovens de baixa renda” é a principal medida para diminuir a violência na cidade: 36% dos entrevistados assinalam essa alternativa.

Confira aqui a apresentação da pesquisa “Viver em São Paulo”.

Ao comentar os dados do levantamento, Oded Grajew, conselheiro da Rede Nossa São Paulo, considerou que a origem dos problemas da cidade está na desigualdade. “Nossa esperança é que a sociedade, que pode pressionar, e o poder público, que é o responsável pelas políticas, tomem decisões e atuem para reduzir as desigualdades”, declarou.

Representante da Prefeitura

Convidado para o evento, o prefeito de São Paulo, João Doria, foi representado pelo secretário adjunto de Urbanismo e Licenciamento, Marcos Camargo Campagnone.

“Essa pesquisa deve ser um farol para nós, um sinalizador de políticas públicas”, afirmou Campagnone, após a apresentação dos resultados do levantamento.

Segundo o secretário adjunto, a pesquisa mostra muitos indicadores que a administração municipal pode considerar oportunidades de melhoria. “Porém, é importante constatar que houve uma pequena melhora na percepção da qualidade de vida e no desejo de deixar a cidade”, ressalvou ele.

Campagnone estranhou os dados que mostram a percepção dos paulistanos de que houve aumento no tempo médio de espera por consultas e exames médicos. Segundo ele, o programa Corujão da Saúde teria resolvido esse problema.

Ele aproveitou o evento para relatar diversas ações e iniciativas da Prefeitura: “Hoje temos um recorde de crianças em creches, com mais de 300 mil vagas”; “Na área de segurança urbana, aumentamos o número de câmaras, com mais de 800 equipamentos novos”;e “Mais de 100 praças estão sendo revitalizadas com a participação da iniciativa privada”.

O evento de lançamento da pesquisa “Viver em São Paulo” contou ainda com a apresentação cultural do grupo de RAP Matéria Rima e com a participação de Maria Alice Nassif, gerente de Educação para a Sustentabilidade e Cidadania do Sesc São Paulo.

Em sua fala de boas-vindas aos participantes da atividade, Maria Alice destacou que a parceria do Sesc com a Rede Nossa São Paulo visa contribuir para a construção de uma cidade mais justa e sustentável.

Próximo evento será no dia 21/2

A Rede Nossa São Paulo, o Ibope Inteligência e o Sesc informam que no dia 21 de fevereiro irão promover a segunda atividade relacionada à pesquisa “Viver em São Paulo”.

O evento será no Sesc Bom Retiro e tratará do tema Geração de Trabalho e Renda.