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Novos parâmetros do desenvolvimento foi o tema debatido no FSM pelo Professor Boaventura de Sousa Santos e a Senadora Marina Silva

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O idealizador do Fórum Social Mundial, Oded Grajew, foi mediador do debate em Porto Alegre, no Armázem 6 da Usina do Gasômentro. A organização foi da secretaria executiva da Rede Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis, o Movimento Nossa São Paulo. Oded explicou ao início do debate o que é o Movimento Nossa SP e suas ações, inclusive com a criação do Indice de Referência de Bem Estar no Município (IRBEM). Na sequência passou a palavra ao Prof. Boaventura de Sousa Santos que fez uma vasta reflexão sobre o Desenvolvimento. Ressaltou que a palavra desenvolvimento é uma palavra pacífica e que ela vem da década de 50, no período da revolução Cubana. Havia na época duas teorias uma do desenvolvimento (dentro do campo capitalista) e outra a teoria da dependência, que estabelecia outro modelo não capitalista. Sugeriu que trocássemos esta palavra por outra como um inidcado r de viver bem. Colocou ainda, que o modelo de desenvolviemnto não é econômico, é político, social e psicológico. "O Capitalismo na sua vontade de expansão infinita, avança sobre tudo e transforma tudo em mercantil. Tudo se compra e tudo se vende."

Prosseguiu: "O egoísmo se difundiu em toda a sociedade". Criticou o termo 'responsabilidade social das empresas': "Em Portugal,'responsabilidade social das empresas' virou relações públicas para maior aceitação das empresas e para aumentar seu lucro". Valorizou a economia solídária e assinalou que uma universidade no Rio de Janeiro tem feito toda sua parte de alimentação e limpeza utilizando a cooperativa de uma favela próxima. A transformação está é mais fácil em cidades menores e periféricas. Na Bolívia, 40 % da economia vem das comunidades indígenas. Observa que as políticas de avanço por todos os países da América Latina são iguais ao bolsa família, que é uma política que não mexe um milímetro na estrutura e, pode ser apropriada pela direita. Diz que precisamos nos desenvolver sem estar obcecados pelo crescimento econômico. " O capitalismo expropria muita coisa, mas principalmente o tempo das pessoas. Não temos tempo para conversar, amar, descansar".

"Trabalhamos com um único conceito de propriedade: a propriedade privada". Explicou que as lutas precisam ser pacíficas e fazermos um uso radical da democracia:" O socialismo do século XXI será o uso sem fim, em todas as esferas, da democracia.O capitalismo não gosta da democracia radical" Vislumbrou que além do orçamento participativo precisamos de impostos participativos, isto é,'se pago 42% em impostos mas, digo que quero 30% na educação, 20 % na saúde e 0% no exército"

O conhecimento deve estar atento aos diversos saberes, isto é, por exemplo: "Se vou a Lua preciso do conhecimento científico mas, na biodiversidade precisamos talvez do conhecimento científico mas, fundamentalmente precisamos do conhecimento dos quilombolas, dos indígenas". E por fim, sugeriu que o FSM esteja sempre em movimento.

Marina Silva começou sua fala avaliando que o modelo civilizatório atual está em crise. Observou que a exclusão social está em crescimento e temos uma crise e desequilíbrio ambiental e o alto indíce da população mundial que vive abaixo da linha de pobreza. Lembra de um economista (não o nomeou)brasileiro que afirma que a crise começou agora para os que podem, sabem e tem pois, os que não sabem, não podem e não tem já estavam na crise desde sempre. Recrimina os que discriminam a UTOPIA, os pragmáticos que querem sempre nos desqualificar." Não se pode fazer mais do que o bioma suporta". E que devemos olhar a questão dos novos parâmetros do desenvolvimento nas diversas faces da sustentabilidade: Sustentabilidade ambiental, econômica, social, ética e cultural. Coloca que além das oportunidades não serem homogêneas, existe uma erosão cultural: "nós não sustentamos a diferença. Precisamos tratar os seres humanos com suas ambiguidades... O estranhamento é algo que precisa ser encontrado. No Brasil, temos 220 povos com 180 línguas... A pior forma de morte é a estagnação. A sustentabilidade ética é o compromisso que temos com o futuro e com suas gerações, temos um compromisso com os futuros renascimentos. 'A realidade responde na língua que é perguntada' citando a psicopedagoga Nadia Bossa. " Precisamos aprender com os paradoxos" e citou também Edgard Morin na sua ideia de 'diálogos dos saberes'. " nós temos o humanismo socialista que traz uma síntese para novas respostas e acabou lembrando do pensador psicanalítico Jaques Lacan: " O sentido aparece só depois!"

Após a exposição do Professor Boaventura, ele teve que sair para participar de outra atividade e a Senadora Marina Silva após sua reflexão, quando começou ouvir as indagações e comentários foi surpreendida pelo corte de energia elétrica, o que impossibilitou a continuidade do diálogo pois, mais de 500 pessoas estavam participando da atividade.

Direto do Fórum Social Mundial (FSM) / Porto Alegre, Maurício Piragino / Xixo
 

Comentários 

 
+1 #1 Haydee Svab 31.01.2010 21:44
Não tenho claro o que seja um humanismo socialista, mas que o atual modelo de "desenvolvimento " adotado já está vencido, isto é claro... Precisamos buscar soluções e alternativas.
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