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Especialista compara cenários políticos de países latino-americanos

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"Podemos pensar na hipótese do Impeachment como uma ferramenta nova, entram os golpes suaves', afirmou

Júlia Dolce

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

Vitória do candidato socialista Lenin Moreno desperta indignação do opositor, que tenta impugnar as eleições / Agência Brasil

O Impeachment pode ser pensado como uma nova ferramenta para "golpes suaves" no continente. É o que avalia o jornalista e escritor Marco Piva, pós graduado pelo Programa em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo, que conversou com a Radioagência Brasil de Fato sobre a crescente instabilidade dos cenários políticos dos países latino americanos. Piva também comentou as recentes eleições presidenciais com resultados equilibrados entre candidatos progressistas e conservadores no continente.

O jornalista analisou o caso do Paraguai, onde a aprovação no Senado de uma emenda que legaliza a reeleição gerou uma série de protestos e se soma à crise política local. Opinou sobre a situação da Venezuela, onde, na semana passada, diante de ameaças e boicotes do campo da direita, o Tribunal Supremo de Justiça anulou as funções do Congresso.

Piva também comparou a indignação do candidato Guillermo Lasso com a vitória de Lenín Moreno à presidência no Equador com o comportamento do candidato do PSDB, Aécio Neves, quando da vitória da presidenta Dilma Rousseff (PT) na eleição de 2014 no Brasil.

Segue a entrevista:

Você pode explicar brevemente o cenário de instabilidade política e desgaste da imagem do governo de Maduro que acomete a Venezuela nas últimas semanas?

Essa ação de desgaste se intensificou logo após a eleição dele. Esse é um lado importante, porque envolve não somente a oposição interna mais radical, como personagens externos. Publicamente a Casa Branca, antes com Barack Obama, agora com Donald Trump, tem tratado de interferir nos assuntos da Venezuela, estimulando organismos internacionais como a OEA e o Mercosul a adotar mecanismos de exclusão da Venezuela. Nesse sentido eu diria que o cenário na Venezuela é totalmente incerto.

E no caso do Paraguai? Como avalia os acontecimentos recentes, quando manifestantes invadiram e atearam fogo no Congresso contrários à emenda que legaliza a reeleição no país?

Quanto ao Paraguai, a tendência é acontecer uma normalização institucional depois de dias bem agitados. É bom registrar que a emenda que permite a reeleição presidencial remete a questão à um plebiscito popular, o que significa que cabe ao povo decidir. A oposição a essa emenda partiu do Partido Liberal Radical Autêntico, que é de direita, uma espécie de PSDB paraguaio. Existe suspeita que esse partido tenha contratado grupos criminosos para incendiar o parlamento e criar um clima de caos no país com apoio da grande imprensa local.

Em relação à vitória no Equador do candidato do partido socialista Aliança Pais, Lenín Moreno, e a indignação de seu opositor, Guillermo Lasso. Você acredita que pode ser traçado um paralelo com a situação brasileira?

A eleição de Lenin Moreno por uma margem apertada mostra que na maioria dos países existe um fator comum que é a deterioração da economia. Nesse contexto, discursos populistas de direita com receitas neoliberais ganham espaço. Então o candidato derrotado que é banqueiro, alegando fraude nas urnas, tenta convocar seus eleitores a mobilizações e protestos. Se vai pegar ou não, não se sabe ainda, mas o comportamento é bem parecido com o do candidato à presidência Aécio Neves (PSDB) quando derrotado por Dilma Rousseff (PT) em 2014.

As eleições recentes em países latinoamericanos têm tido resultados próximos entre os candidatos de esquerda e direita. Qual a relação entre os acontecimentos citados e a ascensão de uma direita inconformada com os resultados?

Existe a direita mais raivosa que vai beber de seu próprio veneno, e aquela que está se acostumando às regras democráticas, como é o caso do Chile. Não significa trégua com a esquerda, mas apenas que o parto da democracia na América Latina começa a dar resultado, e a eleição de vários governos progressistas no último período provou isso. A questão portanto é entender a construção da democracia na América Latina como um processo mais lento do que historicamente aconteceu na Europa, para citar um exemplo. Cabe às esquerdas entender que as disputas eleitorais não são um fim em si mesmo, que precisa é preciso ter estratégias a longo prazo para enfrentar dificuldades eventuais.

A ferramenta do impeachment nas mãos da direita pode ser uma ameaça para as democracias latino americanas?

Podemos pensar sim na hipótese da ferramenta do impeachment como sendo uma ferramenta nova; saem as fadas e entram os golpes suaves, que juntam estamentos do Estado, refratários à mudanças e extremamente corporativistas em uma cruzada moralista e totalmente despolitizada.

Edição: Daniela Stefano

 

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